A evolução da Segurança da Informação (SI) acompanha de perto as constantes transformações do ambiente digital. Mas, junto com as inovações, também crescem os riscos: segundo o The State of Global Cyber Security 2025, houve um aumento de 44% nos ataques cibernéticos em todo o mundo — um alerta claro de que medidas de proteção adicionais são indispensáveis.
Entre as soluções mais difundidas está a criptografia, considerada essencial para atender às exigências legais e às boas práticas de proteção de dados, sobretudo os sensíveis. Ela impede que informações coletadas sejam facilmente exploradas em caso de incidentes, funcionando como uma barreira crítica contra diversos tipos de ataque.
Ainda assim, a realidade atual exige mais do que apenas criptografia. Ela é parte obrigatória de um pacote de medidas de segurança robustas, mas precisa atuar em conjunto com outras estratégias para realmente garantir a confidencialidade e integridade das informações.
Mas afinal, como a criptografia funciona, quais são seus principais tipos e de que forma pode ser aplicada no dia a dia? É exatamente isso que vamos explorar a seguir.
O que é criptografia de dados?
A criptografia é um recurso de segurança que usa algoritmos para tornar ilegível qualquer dado que tente ser acessado sem uma chave exclusiva. Ela é usada na proteção contra roubos de informações, alterações de dados ou comprometimento de qualquer espécie.
Os quatro principais objetivos da criptografia são integridade, confidencialidade, autenticação e não repúdio.
A integridade garante que as informações não sejam manipuladas de nenhuma forma, a confidencialidade disponibiliza as informações somente para usuários autorizados, a autenticação visa confirmar a identidade dos usuários, sistemas ou dispositivos, e o não repúdio garante que os usuários não possam negar as ações realizadas.
Quais são os tipos de criptografia?
Existem três tipos principais de criptografia.
Criptografia simétrica
A criptografia simétrica a mais comum, utilizando uma única chave para criptografar e descriptografar dados, sendo compartilhada entre remetente e destinatário.
É o tipo de criptografia mais rápida e eficiente em caso de grandes volumes de dados. Apesar do algoritmo ser relativamente mais simples e de fácil implementar, possui escalabilidade difícil de gerenciar em redes com muitos usuários, e o gerenciamento de chaves pode ser desafiador.
Criptografia assimétrica
A criptografia assimétrica utiliza não uma, mas um par de chaves — uma pública e uma privada. A chave pública pode ser compartilhada, enquanto a privada é sigilosa, pois é ela quem descriptografa dados que foram criptografados com a chave pública. Do mesmo modo, dados criptografados com a chave privada só podem ser descriptografados com a chave pública correspondente.
A criptografia assimétrica evita o compartilhamento de chaves secretas e permite a verificação da autenticidade do remetente através de assinatura digital, que só pode ser realizada através da chave privada. Por sua complexidade em algoritmos e sistemas computacionais, tem velocidade mais lenta que a criptografia simétrica.
Criptografia híbrida
A criptografia híbrida combina o melhor dos dois mundos, utilizando a criptografia assimétrica para criptografar uma chave simétrica, que por sua vez será utilizada para criptografar os dados da mensagem. Assim, o destinatário utilizará a sua chave privada (assimétrica) para decriptar a chave simétrica que irá descriptografar os dados.
Por unir a segurança da criptografia assimétrica com a velocidade da criptografia simétrica, é usada em uma ampla gama de atuações.
Para que serve a criptografia de dados?
Confidencialidade e segurança
A criptografia garante acesso apenas a pessoas autorizadas, mantendo informações ilegíveis para todos os outros usuários.
Os dados que ficam ilegíveis só podem ser revertidos com uma chave de descriptografia exclusiva. Esse recurso garante que dados armazenados e, mesmo em trânsito — como veremos a seguir —, não sejam compreendidos por invasores, criminosos cibernéticos ou indivíduos mal-intencionados.
Integridade e autenticação
Além dos princípios de confidencialidade e segurança, a criptografia também pode assegurar a integridade dos dados, garantindo a detecção de alterações ou corrompimento durante o armazenamento, ou transmissão dos mesmos.
Os hash criptográficos produzem um “resumo” dos dados que pode ser usado para detectar qualquer modificação. Também proporciona a autenticação das informações, verificando a identidade do remetente (através da assinatura do hash com a chave do emissor) ou destinatário (criptografado com a chave pública do destinatário) dos dados em questão.
Os certificados digitais, no padrão ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas), podem ser utilizados para realizar assinaturas digitais com validade jurídica.
Como a criptografia protege as suas informações?
Criptografia em repouso
A criptografia em repouso protege dados armazenados em backups, HDs, bancos de dados e outros.
Os dados são criptografados e, para torná-los legíveis mais uma vez, é preciso usar a chave de acesso, impedindo que pessoas que não tenham essa chave possam acessar, mesmo que o dispositivo seja furtado ou perdido.
Criptografia em trânsito
A criptografia em trânsito é executada para proteger dados transmitidos por redes públicas, privadas e pela internet.
Antes do envio, os dados são criptografados e só são descriptografados após chegarem ao seu destino, impedindo que atacantes interceptem os dados em sua forma original durante o envio, que é quando eles estão mais vulneráveis e fora do controle organizacional.
Criptografia em uso
A criptografia em uso faz a proteção de dados que estão em processamento ou que estão sendo utilizados em aplicativos ou sistemas durante o uso.
Essa é a implementação mais desafiadora, pois, para serem processados – via de regra – os dados precisam estar descriptografados. Estão sendo utilizadas técnicas como enclaves seguros e computação confidencial (processamento na nuvem) para isolar dados e códigos de processamento em ambiente seguro, impedindo acesso não autorizado durante o uso das informações.
Aplicações da criptografia no cotidiano
Bancos e fintechs
Para efetuar transações seguras, como o Pix, transações com cartões de crédito e débito, pagamentos e muito mais, os bancos e fintechs são obrigados a investir pesado em criptografia, para ficarem em conformidade às normas do setor e à legislação.
Além disso, a comunicação segura entre instituição e usuário também precisa ser protegida, como senhas, códigos de acesso e outros dados sensíveis. O armazenamento de dados confidenciais demanda criptografia em repouso como recurso essencial.
Comércio eletrônico
Para manter transações de vendas online seguras, a criptografia usa recursos para proteger transações com cartões de crédito e outros dados sensíveis, além de garantir um ambiente seguro e protegido na comunicação entre cliente e loja.
Redes sociais e comunicação privada
Aplicativos de mensagens como o WhatsApp e o Messenger do grupo Meta utilizam criptografia de ponta a ponta para proteger as conversas dos usuários, garantindo que apenas destinatário e remetente possam ter acesso às mensagens.
Como implementar a criptografia de forma segura?
Gestão de chaves
Fazer uma boa gestão de chaves criptográficas é de suma importância para manter o sistema seguro. É importante gerar chaves fortes, com tamanhos adequados e utilizar somente geradores de números aleatórios que sejam criptograficamente seguros e auditáveis.
O armazenamento de chaves jamais deve ser feito em texto simples. Parece contra-intuitivo e até engraçado, mas busque criptografar as chaves de criptografia usando sistemas de gerenciamento de credenciais, como, por exemplo, utilizando um bom cofre de senhas.
Ainda, altere-as regularmente, alternando chaves para limitar o impacto de possíveis violações e restrinja o acesso às chaves implementando controles que limitem o escopo do acesso.
Melhores práticas e erros a evitar
- Utilize algoritmos criptográficos atuais, revisados e testados para evitar vulnerabilidades e evite algoritmos e protocolos inseguros ou já obsoletos para garantir um maior índice de segurança;
- Criptografe dados em todas as camadas: repouso, trânsito e em uso, utilizando criptografia de ponta a ponta na segurança das comunicações;
- Realize auditorias de segurança com frequência para identificar a corrigir vulnerabilidades, realizando teste de invasão e simulação de ataques para verificação do cumprimento dos protocolos de segurança;
- Eduque e incentive os usuários acerca da importância da criptografia, do uso de senhas fortes, da proteção às suas chaves privadas e o uso de ferramentas de criptografia de forma eficiente e segura.
A fim de evitar riscos, não use senhas fracas ou previsíveis, não reutilize senhas em mais de uma conta, não compartilhe senhas e chaves privadas, não armazene chaves em locais inseguros e apenas confie em algoritmos de criptografia testados e aprovados por organismos especialistas no assunto, como, por exemplo, o NIST.
Você sabia?
A Clavis ajuda a sua empresa a ficar conforme diversos frameworks de Segurança da Informação (SI), essenciais para manter a conformidade do seu negócio. Por exemplo:
- PCI-DSS (Payment Card Industry Data Security Standard): Essencial para empresas que lidam com dados de titulares de cartão de crédito (armazenamento, processamento, transmissão, etc.), garantindo a proteção dessas informações sensíveis;
- ISO/IEC 27001: Demonstra ao mercado que sua organização adota as melhores práticas em Segurança da Informação posicionando-a como um parceiro confiável e apto a trabalhar com empresas que exigem alta conformidade em SI;
- ISO/IEC 27701: Além de seguir as melhores práticas em Segurança da Informação, este framework destaca o compromisso da sua empresa com a privacidade de dados. Ele é fundamental para organizações que atuam como Controladoras ou Operadoras de Dados Pessoais, em alinhamento com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além destes frameworks que podem ser obrigatórios, também utilizamos outros que são considerados as melhores práticas na área de Segurança da Informação, como, por exemplo:
- CIS (Center for Internet Security): Organização sem fins lucrativos que criou um framework de SI em conjunto com inúmeras empresas, de diversos tamanhos, áreas e locais, visando proteger sistemas e dados contra ameaças digitais.
O que estes frameworks têm em comum? Todos, sem exceção, enfatizam a importância do uso da criptografia para proteger os dados da sua organização.
A Clavis é especialista em Segurança da Informação e tem exatamente aquilo que você precisa para se proteger em ambiente online. Entre em contato e descubra a forma mais segura de estar protegido!






