A transformação digital brasileira aconteceu de forma acelerada. Em poucos anos, o país consolidou um dos maiores mercados de serviços financeiros digitais do mundo, ampliou significativamente o acesso à internet e tornou aplicativos de mensagens parte da rotina de milhões de pessoas.
Esse movimento trouxe ganhos importantes para empresas, consumidores e órgãos públicos, mas também criou um ambiente extremamente atrativo para o cibercrime.
Ao contrário do que muitas organizações imaginam, os ataques direcionados ao Brasil não seguem exatamente o mesmo padrão observado em outros países. Os criminosos exploram características muito específicas do mercado nacional, adaptando técnicas e campanhas para a realidade brasileira.
Por isso, compreender essas particularidades é essencial para desenvolver estratégias de proteção realmente eficazes.
O Brasil possui um dos ambientes digitais mais ativos do mundo
O Brasil é referência mundial quando o assunto é digitalização. Segundo dados do IBGE apresentados na palestra Resiliência Cibernética: Como gerenciar riscos na era da Inteligência Artificial, a internet está presente em 93,6% dos lares brasileiros, enquanto 98% dos smartphones possuem WhatsApp instalado.

Esses dados tão expressivos indicam que existe oportunidade para grupos criminosos desenvolverem campanhas altamente direcionadas ao comportamento do usuário brasileiro.
O Pix transformou também o cenário das fraudes digitais
Poucas tecnologias cresceram tão rapidamente quanto o Pix. A facilidade das transferências instantâneas revolucionou o sistema financeiro nacional, mas também abriu espaço para novos modelos de fraude.
Segundo a Febraban, mais de 40% das fraudes envolvendo o Pix tiveram origem em ataques de phishing e smishing, demonstrando que o maior alvo dos criminosos continua sendo o usuário, e não necessariamente a tecnologia.
Na prática, os ataques combinam diferentes técnicas. Links enviados por SMS, mensagens falsas em aplicativos de conversa, páginas clonadas de instituições financeiras e perfis fraudulentos são utilizados para convencer vítimas a fornecer credenciais ou autorizar transferências.
Esse cenário demonstra que combater fraudes relacionadas ao Pix exige muito mais do que proteger a infraestrutura financeira. É necessário monitorar continuamente o ecossistema digital que envolve a marca, os clientes e os canais de comunicação.
WhatsApp: uma ferramenta essencial que também virou vetor de ataque
O WhatsApp faz parte da rotina de praticamente toda a população brasileira. Essa popularidade transformou o aplicativo em um dos principais canais utilizados pelos criminosos para campanhas de engenharia social.
Golpes envolvendo clonagem de contas, perfis falsos, falsas centrais de atendimento, ofertas inexistentes e solicitações de pagamento se tornaram extremamente comuns.
Além disso, criminosos utilizam o aplicativo para estabelecer uma relação de confiança com a vítima antes de solicitar informações pessoais, credenciais ou transferências financeiras.
O sucesso desse tipo de ataque está diretamente relacionado ao comportamento do usuário, tornando a conscientização uma parte importante da estratégia de defesa.
O boleto falso continua fazendo vítimas
Mesmo com a expansão do Pix, o boleto bancário continua amplamente utilizado por empresas e consumidores brasileiros.
Segundo os dados apresentados, três em cada dez empresas brasileiras já sofreram golpes envolvendo boletos adulterados.
Os criminosos utilizam diferentes abordagens para alterar códigos de barras, criar documentos falsificados ou substituir informações bancárias durante processos de pagamento.
Esse tipo de fraude costuma gerar impactos financeiros imediatos e, muitas vezes, só é identificado após a transferência dos recursos.
Por isso, mecanismos de validação, monitoramento de fraudes digitais e inteligência de ameaças desempenham papel cada vez mais importante na redução desse risco.
A engenharia social continua sendo o principal caminho para os ataques
Apesar da evolução tecnológica das ameaças, o fator humano continua ocupando posição central nas estratégias utilizadas pelos criminosos. Isso acontece porque convencer uma pessoa costuma ser mais simples do que explorar vulnerabilidades altamente complexas.
No Brasil, campanhas de phishing, smishing, falsas centrais de atendimento, perfis fraudulentos e golpes utilizando aplicativos de mensagens tornaram-se extremamente comuns justamente por explorarem hábitos já incorporados ao cotidiano da população.
Com a chegada da Inteligência Artificial, esses golpes ganharam ainda mais sofisticação.
Mensagens personalizadas, deepfakes, clonagem de voz e conteúdos produzidos automaticamente aumentam a credibilidade das campanhas e dificultam sua identificação.
O cenário brasileiro exige inteligência local
Grande parte das soluções de segurança disponíveis no mercado foi desenvolvida para atender cenários globais. Embora ofereçam recursos importantes, muitas vezes não consideram características específicas do ambiente brasileiro.
Fraudes envolvendo Pix, golpes com boletos, campanhas massivas utilizando WhatsApp, vazamentos de credenciais nacionais e ataques direcionados ao mercado local exigem uma compreensão profunda da realidade brasileira.
Por isso, organizações que atuam no país precisam combinar inteligência global com conhecimento específico sobre o comportamento das ameaças locais.
Tecnologia precisa acompanhar a realidade do negócio
Os ataques continuam evoluindo porque acompanham a transformação digital da sociedade.
Da mesma forma, as estratégias de defesa também precisam considerar como as pessoas utilizam a tecnologia no dia a dia e quais são os vetores mais explorados pelos criminosos em cada contexto.
Mais do que implementar ferramentas isoladas, as organizações precisam construir uma visão integrada dos riscos, considerando exposição digital, ativos críticos, identidades, ameaças externas e comportamento dos usuários.
Uma plataforma desenvolvida para a realidade brasileira
As particularidades do cenário nacional mostram que proteger organizações no Brasil exige mais do que aplicar modelos genéricos de segurança. É preciso compreender como os criminosos exploram tecnologias amplamente utilizadas no país, acompanhar a evolução das fraudes locais e transformar essas informações em inteligência para apoiar a tomada de decisão.
Foi com essa visão que a Plataforma de Segurança Clavis foi desenvolvida. Por reunir em um único ambiente capacidades como monitoramento da superfície de ataque, gestão de vulnerabilidades, SIEM, Cyber Threat Intelligence (CTI), gestão de riscos e inteligência artificial por meio do Oto AI, a plataforma oferece uma visão integrada da postura de segurança da organização, considerando tanto ameaças globais quanto as especificidades do cenário brasileiro.
Em um ambiente onde Pix, WhatsApp, engenharia social e fraudes digitais fazem parte da realidade cotidiana, contar com uma plataforma desenvolvida no Brasil representa a possibilidade de responder aos desafios locais com inteligência contextualizada, maior visibilidade e decisões mais assertivas para fortalecer a resiliência cibernética.





