A temporada do Imposto de Renda sempre foi um período sensível para a segurança digital, mas o que estamos observando agora é uma verdadeira evolução industrial do cibercrime, impulsionada principalmente pelo uso de inteligência artificial.
Diante desse cenário, Victor Santos, CEO da Clavis, participou de uma entrevista para o Jornal Nacional (JN), destacando justamente essa evolução do cibercrime durante o período do Imposto de Renda. Na ocasião, foi abordado como o uso de inteligência artificial tem ampliado a escala e a sofisticação dos golpes, além dos principais cuidados que os contribuintes devem adotar para se proteger.
Veja a reportagem na íntegra: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/04/03/imposto-de-renda-golpes-ficam-mais-sofisticados-e-enganam-ate-usuarios-atentos.ghtml
Para entender o tamanho do problema, é importante olhar primeiro para o contexto econômico. Em 2025, o Brasil registrou uma arrecadação federal recorde de aproximadamente R$ 2,886 trilhões, um crescimento real de 3,65% acima da inflação. Só em pagamentos via DARF foram cerca de R$ 67 bilhões movimentados por aproximadamente 9 milhões de contribuintes.
Quando existe um volume tão grande de dinheiro circulando em plataformas digitais, isso naturalmente atrai o interesse de criminosos. Hoje, estimamos que os golpes tenham uma taxa média de sucesso de 10% nas abordagens, o que representa um potencial de prejuízo direto ao cidadão que pode chegar a R$ 6 bilhões.
Outro dado que chama atenção é a frequência das tentativas de fraude. No Brasil, registramos uma média de 16 tentativas de phishing por minuto relacionadas a temas financeiros e governamentais.
O que mudou recentemente é a tecnologia usada por esses criminosos. Em 2026 estamos vendo uma transição clara do que antes era um modelo quase artesanal para um modelo industrial de golpes digitais. Com o uso de ferramentas de desenvolvimento assistido por inteligência artificial — o que chamamos de vibecoding — o tempo para criar um site falso caiu de horas para menos de dois minutos.

Isso cria uma escala completamente nova para o problema. Em 2025 observávamos uma média de cerca de 3 mil URLs fraudulentas relacionadas a impostos, e a projeção para 2026 é que esse número ultrapasse 10 mil páginas falsas.

Além disso, os golpes estão cada vez mais personalizados. Em 2025 tivemos mais de 6 bilhões de dados expostos em vazamentos na internet, e praticamente todo brasileiro com presença digital já teve alguma informação comprometida. Com isso, criminosos conseguem utilizar inteligência artificial para montar mensagens que citam nome, CPF e até histórico fiscal da pessoa em tempo real.


Em alguns casos, já vemos inclusive deepfakes de áudio, simulando vozes para tentar convencer a vítima.

Esses golpes costumam seguir sempre três gatilhos psicológicos muito claros. O primeiro é a criticidade, quando a mensagem diz que o CPF pode ser bloqueado ou que existe uma irregularidade grave. O segundo é o senso de urgência, com prazos curtíssimos para regularização, às vezes de poucas horas. E o terceiro é o benefício falso, como a promessa de descontos grandes em multas inexistentes se o pagamento for feito imediatamente via Pix.
Por isso, a conscientização continua sendo a principal ferramenta de proteção para o cidadão.
Existem algumas regras simples que ajudam a identificar essas fraudes. A primeira é lembrar que a Receita Federal opera exclusivamente sob o domínio .gov.br. Qualquer site que utilize terminações como .com, .net, .org ou .online deve ser tratado como suspeito.
Outro ponto importante é que a Receita Federal não envia links por WhatsApp, SMS ou e-mail solicitando pagamento ou atualização de dados. A comunicação oficial acontece apenas pela Caixa Postal dentro do portal e-CAC.
Também recomendamos que os cidadãos utilizem as contas Prata ou Ouro do Gov.br, que hoje são uma das principais camadas de proteção contra o sequestro de identidade digital.
E, no caso de qualquer pagamento via Pix relacionado a tributos, é fundamental verificar o destinatário. O favorecido legítimo deve ser sempre o Tesouro Nacional.
A tecnologia trouxe muita facilidade para declarar e pagar impostos, mas também abriu espaço para novas formas de fraude. Por isso, neste período do Imposto de Renda, a melhor defesa continua sendo a informação e a atenção do cidadão.





