A transformação digital trouxe ganhos significativos para empresas de todos os segmentos. Processos mais ágeis, maior conectividade, expansão dos canais digitais e novas oportunidades de negócio passaram a fazer parte da estratégia corporativa de praticamente todas as organizações.
Mas essa evolução também trouxe um efeito colateral inevitável: o aumento da superfície de ataque.
À medida que empresas ampliam sua presença digital, os criminosos encontram mais oportunidades para explorar vulnerabilidades, roubar credenciais, aplicar golpes e comprometer operações críticas.
Embora nenhuma organização esteja imune aos riscos cibernéticos, alguns setores vêm se destacando como alvos preferenciais dos atacantes. Seja pelo volume de dados armazenados, pela criticidade dos serviços prestados ou pelo potencial retorno financeiro, determinadas indústrias concentram uma parcela significativa dos incidentes registrados globalmente.
Entender quais setores estão sendo mais afetados é fundamental para compreender as tendências atuais do cibercrime e identificar os riscos que podem impactar o seu negócio.
Quais são os setores mais atacados atualmente?
De acordo com o relatório 2025 Axur Threat Landscape, os setores de varejo e e-commerce lideram o ranking de incidentes cibernéticos, seguidos pelos segmentos financeiro, tecnologia, saúde e setor público.

O levantamento destaca ainda a entrada do varejo e e-commerce entre os segmentos mais visados, impulsionada principalmente pelo aumento do uso de credenciais roubadas por infostealers.
Os números mostram que o foco dos criminosos está cada vez mais alinhado aos ambientes que concentram grandes volumes de dados, transações financeiras e operações digitais críticas.
Por que o varejo e o e-commerce lideram o ranking?
O crescimento do comércio digital ampliou significativamente a exposição do setor.
Empresas de varejo armazenam informações de clientes, dados de pagamento, históricos de compra e credenciais de acesso, tornando-se alvos extremamente atrativos para grupos criminosos. Além disso, o setor costuma operar com:
- Grande quantidade de usuários;
- Diversos sistemas integrados;
- Ambientes omnichannel;
- Altos volumes de transações;
- Dependência da disponibilidade dos serviços.
Uma interrupção operacional durante períodos estratégicos, como Black Friday, Natal ou grandes campanhas promocionais, pode gerar prejuízos financeiros expressivos e danos à reputação da marca.
Outro fator relevante é o crescimento dos ataques voltados ao roubo de credenciais. Com o aumento do uso de infostealers, criminosos conseguem obter acessos legítimos e utilizá-los para invasões, fraudes e movimentações laterais dentro dos ambientes corporativos.
O setor financeiro continua sendo um dos principais alvos
Historicamente, bancos, seguradoras, fintechs e instituições financeiras ocupam posições de destaque nos rankings de ameaças. O motivo é simples: onde existe movimentação financeira, existe interesse do cibercrime. O setor concentra:
- Informações financeiras sensíveis;
- Dados pessoais de clientes;
- Operações críticas;
- Ambientes altamente conectados;
- Infraestruturas de grande valor estratégico.
Além dos ataques tradicionais, instituições financeiras enfrentam constantemente tentativas de fraude, roubo de identidade, engenharia social, comprometimento de contas e campanhas avançadas de phishing.
A crescente adoção de meios de pagamento digitais também contribui para ampliar o interesse dos atacantes.
Tecnologia: quando o fornecedor vira alvo
Empresas de tecnologia passaram a ocupar uma posição estratégica dentro da cadeia de suprimentos digital.
Softwares, plataformas SaaS, provedores de nuvem, empresas de desenvolvimento e fornecedores de serviços gerenciados frequentemente possuem acesso privilegiado aos ambientes de seus clientes.
Isso faz com que ataques contra empresas de tecnologia tenham potencial de gerar impactos em larga escala.
Nos últimos anos, ataques à cadeia de suprimentos se tornaram uma das principais preocupações das equipes de segurança. Ao comprometer um único fornecedor, criminosos podem obter acesso indireto a dezenas ou até centenas de organizações.
Esse modelo de ataque ganhou notoriedade após incidentes globais que demonstraram o potencial destrutivo de comprometimentos em fornecedores estratégicos.
O setor de saúde enfrenta um cenário particularmente crítico
Hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras de saúde armazenam algumas das informações mais sensíveis existentes. Prontuários médicos, exames, dados pessoais e históricos clínicos possuem alto valor tanto para atividades criminosas quanto para fraudes.
Além disso, existe um agravante importante: a indisponibilidade dos sistemas pode impactar diretamente a prestação de serviços essenciais.
Em muitos casos, um incidente de segurança não representa apenas prejuízo financeiro, mas também riscos operacionais capazes de afetar pacientes e profissionais de saúde.
Por esse motivo, o setor vem sendo alvo frequente de campanhas de ransomware e extorsão digital.
O setor público permanece sob pressão constante
Órgãos governamentais continuam entre os principais alvos de ataques cibernéticos. A motivação dos atacantes varia de acordo com o contexto:
- Roubo de informações;
- Fraudes financeiras;
- Espionagem;
- Ativismo digital;
- Sabotagem;
- Interrupção de serviços.
Além da quantidade de dados armazenados, instituições públicas frequentemente enfrentam desafios relacionados à modernização tecnológica, integração de sistemas legados e gestão de ambientes complexos.
Esses fatores aumentam a superfície de exposição e tornam o setor especialmente atrativo para diferentes perfis de ameaças.
O que todos esses setores têm em comum?
Apesar das diferenças operacionais, existe um conjunto de características compartilhadas pelos segmentos mais atacados. Entre elas estão:
Grande volume de dados
Quanto maior o volume de informações armazenadas, maior tende a ser o interesse dos criminosos.
Operações críticas
Interrupções podem gerar impactos financeiros, operacionais e reputacionais significativos.
Dependência tecnológica
A digitalização ampliou a importância dos sistemas para a continuidade dos negócios.
Superfície de ataque expandida
Ambientes em nuvem, dispositivos móveis, APIs, fornecedores e aplicações conectadas aumentam os pontos de exposição.
Valor financeiro
Ataques tendem a seguir oportunidades de monetização. Quanto maior o potencial de retorno para os criminosos, maior costuma ser o interesse no alvo.
O setor da sua empresa pode ser o próximo
Embora os rankings sejam importantes para compreender tendências, eles não devem ser interpretados como uma garantia de proteção para empresas que atuam fora dos segmentos mais atacados.
A realidade é que o cibercrime se tornou altamente oportunista. Hoje, os criminosos utilizam automação, Inteligência Artificial e ferramentas de reconhecimento em larga escala para identificar organizações vulneráveis independentemente do setor de atuação.
Isso significa que o foco não deve estar apenas em observar quais segmentos lideram os rankings, mas em compreender quais riscos estão presentes dentro da própria organização.
Da visibilidade à resiliência
O crescimento dos incidentes em setores estratégicos demonstra que as organizações precisam abandonar uma postura exclusivamente reativa diante das ameaças.
Conhecer ativos, monitorar exposições, identificar vulnerabilidades e compreender caminhos de ataque tornou-se essencial para reduzir riscos de forma contínua.
Nesse cenário, a capacidade de correlacionar informações de diferentes fontes e priorizar ações de acordo com o contexto do negócio faz toda a diferença. É justamente essa visão que orienta o Oto AI, a camada de inteligência da Plataforma de Segurança Clavis, capaz de integrar dados de vulnerabilidades, ameaças, superfícies de ataque e eventos de segurança para transformar informações dispersas em recomendações acionáveis.
Afinal, independentemente do setor em que uma empresa atua, a pergunta já não é mais se ela será alvo de uma tentativa de ataque, mas quão preparada estará para identificar, responder e se recuperar quando isso acontecer.





