A Clavis participou do Security Leaders Recife, encontro que reuniu lideranças e especialistas em Segurança da Informação para discutir os desafios de proteger organizações em um cenário no qual ataques, tecnologias e ambientes corporativos evoluem em velocidade cada vez maior.
Durante o evento, Leonardo Pinheiro, Sócio e CRO da Clavis, apresentou a palestra “Resiliência cibernética: construindo uma defesa adaptativa e unificada com um SOC AI”. Mais do que discutir o crescimento das ameaças impulsionadas pela Inteligência Artificial, a apresentação mostrou como a própria defesa precisa evoluir para acompanhar essa nova realidade.
A discussão partiu de uma questão cada vez mais presente nas operações de segurança: organizações já possuem diversas tecnologias e grandes volumes de dados sobre seus ambientes, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar essas informações em decisões rápidas.
Nesse cenário, construir resiliência passa menos pela adoção de novas ferramentas isoladas e mais pela capacidade de integrar informações, estabelecer prioridades e utilizar IA para ampliar a capacidade dos especialistas.
Da multiplicação de ferramentas à construção de contexto
O cenário apresentado durante a palestra evidencia uma contradição importante. As empresas nunca tiveram tantas tecnologias disponíveis para proteger seus ambientes, mas isso não necessariamente tornou suas operações mais simples.
Organizações utilizam, em média, mais de 45 ferramentas de segurança, enquanto mais de 50% dos analistas de SOC admitem ignorar alertas críticos em razão da fadiga. Paralelamente, mais de 20% dos incidentes têm início em vulnerabilidades que já poderiam ser corrigidas.
O problema, portanto, não está somente em identificar vulnerabilidades ou gerar alertas, mas em compreender o que deve ser tratado primeiro e por quê.
É a partir dessa necessidade que a apresentação introduziu uma mudança na lógica de proteção. Em vez de ferramentas trabalhando de maneira independente e equipes reagindo manualmente a uma sucessão de eventos, a proposta passa pela construção de uma visão integrada sobre vulnerabilidades, superfície de ataque, inteligência de ameaças, ambientes em nuvem e risco humano.
Essa abordagem permite relacionar diferentes sinais e compreender possíveis caminhos de ataque, deslocando o foco de uma lista extensa de CVEs para uma pergunta mais relevante para a operação: quais exposições realmente podem gerar impacto para o negócio?
Uma plataforma para transformar dados em decisões
A unificação dessas informações é um dos princípios da Plataforma de Segurança Clavis, desenvolvida para reduzir a dispersão de dados e acelerar a tomada de decisão dentro das operações de cibersegurança.
Durante a apresentação, Leonardo mostrou como capacidades de SIEM, gestão de vulnerabilidades, análise de superfície de ataque, Threat Intelligence, Cloud Security e gestão do risco humano podem contribuir para uma visão holística quando deixam de operar como fontes independentes de informação.
É nesse ambiente que o Oto AI atua como uma camada de inteligência para apoiar integração, priorização e recomendações acionáveis. A proposta não é simplesmente adicionar IA às ferramentas existentes, mas utilizar contexto para reduzir esforço operacional e tornar as detecções mais assertivas.
Essa evolução também muda a forma como as vulnerabilidades são tratadas. Em vez de priorizar exclusivamente pela criticidade técnica de uma CVE, uma defesa adaptativa pode considerar os ativos envolvidos, a exposição existente e os caminhos que um atacante poderia utilizar para avançar pelo ambiente.
A apresentação contrapôs, assim, dois modelos: de um lado, ferramentas isoladas, reação manual e visão concentrada em ativos e vulnerabilidades; do outro, uma plataforma unificada, automação inteligente, compreensão dos caminhos de ataque e foco efetivo na redução de risco.
O SOC também precisa evoluir
A mesma lógica se aplica às operações de SOC. Em ambientes que produzem milhares de eventos, aumentar continuamente a quantidade de informações analisadas por pessoas não é uma estratégia sustentável.
A evolução apresentada pela Clavis passa pelo uso de IA justamente nas etapas em que velocidade e escala fazem maior diferença. O Oto AI Analytics passou a apoiar as tratativas de primeiro nível do SOC, analisando e contextualizando eventos antes da validação dos especialistas.
Atualmente, 80% das ameaças são analisadas pela IA, permitindo que grande parte do volume inicial seja processado de forma muito mais rápida. A validação humana, entretanto, permanece no fluxo para garantir contexto e segurança nas decisões.

Os resultados apresentados durante a palestra ajudam a dimensionar essa mudança. O tempo de análise, que anteriormente poderia chegar a 30 minutos, foi reduzido para 30,5 segundos. A utilização da tecnologia também proporcionou 80% de redução do ruído crítico, enquanto a aplicação de IA na gestão de vulnerabilidades alcançou 98% de redução no esforço de priorização.
Mais do que simplesmente automatizar tarefas, esses resultados mostram uma mudança na distribuição do trabalho dentro das operações de segurança: a máquina ganha espaço onde volume e velocidade são determinantes, enquanto os especialistas podem direcionar maior atenção às situações que exigem investigação, julgamento e tomada de decisão.
A Inteligência Artificial está transformando a cibersegurança dos dois lados: enquanto cria novos riscos e amplia a superfície que precisa ser protegida, também oferece às equipes de segurança novas possibilidades para correlacionar dados, acelerar investigações e apoiar a tomada de decisão.
No nosso e-book IA & Cibersegurança, aprofundamos essa relação, passando pelos riscos associados à adoção da tecnologia, governança, aplicações baseadas em LLMs e pelo uso da própria IA como aliada das operações de segurança. Baixe o material e entenda como preparar sua estratégia de segurança para esse novo cenário.
Um SOC AI não significa retirar o humano da operação
A velocidade proporcionada pela Inteligência Artificial traz também um novo desafio: quanto maior sua participação em processos críticos, maior precisa ser a governança sobre seu funcionamento.
Por isso, um dos diferenciais apresentados na palestra foi justamente a forma como a Clavis estrutura a aplicação da IA. Antes da análise, os dados são tratados, limpos e filtrados, reduzindo a exposição desnecessária de informações sensíveis. A IA utiliza o contexto para apoiar a interpretação dos eventos e suas decisões permanecem rastreáveis e sujeitas à verificação humana.
A arquitetura também prevê separação entre as camadas de análise e execução, além de controles de acesso e permissões de acordo com o contexto. A abordagem segue princípios alinhados à ISO 42001, direcionada à governança de sistemas de Inteligência Artificial.
Dessa forma, o conceito de SOC AI apresentado pela Clavis não representa uma operação autônoma na qual algoritmos substituem especialistas. Trata-se de utilizar IA para aumentar velocidade, precisão e escala, mantendo governança, rastreabilidade e conhecimento humano como componentes fundamentais da defesa.
Resiliência é a capacidade de decidir melhor e mais rápido
A evolução das ameaças demonstra que o tempo disponível para as equipes de segurança está diminuindo. A Inteligência Artificial amplia a capacidade dos atacantes, automatiza etapas e permite que determinadas ações sejam executadas em uma escala que dificilmente poderia ser acompanhada apenas por processos manuais.
Responder a essa realidade exige mais do que adicionar tecnologias ao ambiente.
A visão apresentada no Security Leaders Recife aponta para uma operação na qual informações antes dispersas passam a gerar contexto, a IA absorve atividades de alto volume e os especialistas recebem melhores condições para direcionar esforços às decisões realmente críticas.
Ao combinar Plataforma de Segurança, inteligência artificial e expertise humana, a Clavis avança na construção de uma defesa adaptativa, capaz de priorizar riscos e acelerar respostas sem abrir mão da governança.
Nesse novo cenário, resiliência cibernética não significa impedir que qualquer ameaça alcance a organização. Significa desenvolver capacidade para enxergar o risco, compreender seu contexto e agir com velocidade antes que uma exposição se transforme em impacto para o negócio.





