O setor financeiro é um dos setores da economia que vem evoluindo gradativamente, porém a passos largos e rápidos, para a total digitalização dos seus serviços, tornando a vida mais conveniente e acessível.
Com o crescimento acelerado do espaço digital para assuntos financeiros, cresceu também as áreas passíveis de serem usadas por criminosos para ataques diretos aos dados e à privacidade dos clientes.
Por coletar, armazenar, tratar e compartilhar dados, tornou-se imprescindível adotar medidas de segurança eficazes e eficientes contra qualquer ameaça digital.
Quais são as principais ameaças cibernéticas no setor financeiro?
Os ataques ao setor financeiro vêm se sofisticando e explorando não apenas tecnologias, mas também processos e pessoas. As instituições de pagamento digitais, que operam com alta velocidade de transação e uma cadeia hiperconectada, se tornaram alvos prioritários.
Phishing e fraudes de Identidade
Um dos recursos mais comuns na hora de atacar sistemas digitais é o uso de phishing e engenharia social, promovendo fraudes de identidade.
O criminoso faz uma “cópia” de ambientes online onde são inseridas informações confidenciais como dados bancários e senhas, em nome de instituições sérias. Sem notar a diferença, o usuário insere seus dados e permite acesso a dados ou sistemas privados.
Também há a divulgação de links maliciosos que, uma vez acessados, instalam malware que pode conceder acessos não autorizados sem consciência do usuário.
Malware e ransomware
Malwares são softwares maliciosos usados para monitorar atividades online, roubar informações, danificar sistemas e derrubar barreiras de proteção para viabilizar outros ataques.
O ransomware é um tipo de malware muito perigoso porque ele não só concede acesso às informações como as criptografa, deixando ilegível para quem acessa os dados, muitas vezes exigindo resgates para obtenção da chave de descriptografia. Grupos de ransomware também têm direcionado ataques a ambientes de nuvem utilizados por fintechs e instituições de pagamento, visando interromper transações, exfiltrar dados de clientes e forçar pagamentos milionários.
Isso, dentro do setor financeiro, pode significar congelamento de operações bancárias, sistemas de pagamento e acesso a dados privados, causando não só prejuízos financeiros como danos à reputação da instituição.
Ataques a dados sensíveis
Os ataques a dados sensíveis podem vir de muitas fontes, inclusive da parte interna da instituição por funcionários, ex-funcionários e pessoas com intenções escusas, possibilitando acesso não autorizado a criminosos cibernéticos.
Ao longo de 2024, a Clavis identificou ataques a empresas de pagamento, nos quais atacantes usaram táticas de engenharia social sobre atendentes de suporte, convencendo-os a instalar ferramentas para acesso remoto às redes internas.
Além disso, em julho de 2025, o mercado financeiro brasileiro sofreu um dos maiores ataques cibernéticos relacionados ao sistema de transferências via Pix e TED no país. Milhões de reais foram desviados em transferências fraudulentas, devido a ação de uma ameaça interna, que, ao receber uma oferta do cibercrime, forneceu acesso e acatou instruções para executar o ataque.
Outras ameaças emergentes
Relatórios recentes chamam atenção para novos vetores de ataque: segundo a Kaspersky, fraudes com trojans que interceptam dados de cartão e apps de pagamento cresceram mais de 60% em 2023 e já aumentaram 3,6 vezes em 2024.
Já o relatório da Axur, apontou que carteiras digitais e apps de pagamento foram o segundo tipo de aplicativo mais clonado e falsificado no Brasil em 2024.
O FS-ISAC também destacou fraudes em sistemas de adquirência e manipulação de integradores como o Pix como um ponto emergente de atenção.
Outros riscos incluem:
- Abuso de APIs para ataques como credential stuffing, enumeração de dados, autorizações indevidas e fraudes por identidade sintética;
- Crime organizado explorando falhas em regras de negócio para lavagem de dinheiro e fraude em cartões;
- Grupos de extorsão explorando vulnerabilidades para roubar dados e exigir resgates, realizando dupla ou tripla extorsão.
O maior atrativo para os criminosos são as centenas de milhões de transações diárias, onde pequenas frações desviadas passam despercebidas em meio ao volume.
Quais são as estratégias de proteção para instituições financeiras?
O setor financeiro moderno, com seu ecossistema “API-first”, cloud-native e altamente hiperconectado entre adquirentes, bandeiras e bancos, precisa de estratégias abrangentes para enfrentar a velocidade de inovação sem acumular débitos técnicos de segurança.
Implementação de sistemas de prevenção e monitoramento
Por fazerem parte de um cenário complexo e em constante expansão, as instituições financeiras carecem da implementação de sistemas de prevenção e monitoramento a fim de proteger seus ativos, clientes e também sua reputação.
O uso de firewalls atualizados com inspeção profunda de pacotes, sistemas de detecção e prevenção de intrusos (IDS/IPS), criptografia ponta a ponta, autenticação multifator, SIEM e inteligência artificial devem ser combinados para uma defesa mais eficaz.
É fundamental também monitorar ambientes em nuvem contra cloud misconfigurations, já que muitos ataques exploram falhas de configuração e superfícies expostas.
Treinamento e conscientização de funcionários
Promover programas de conscientização de funcionários de forma séria e contínua é crucial para atuar dentro da política protocolar da empresa e de acordo com as diretrizes obrigatórias da legislação vigente.
Fornecer treinamento mais aprofundado por função, garantir que o staff compreenda a importância das políticas de segurança e promover uma cultura de segurança cotidiana pode fazer toda a diferença.
Simulações práticas, como campanhas de phishing, ajudam a testar e reforçar a capacidade dos colaboradores de identificar ataques.
Conformidade regulatória e segurança cibernética
O ambiente regulatório exige que tecnologia, processos e pessoas estejam alinhados para atender às normas do Banco Central, CVM e outras.
É fundamental adotar uma abordagem baseada em riscos, mantendo controles robustos, aplicando o princípio do menor privilégio, realizando auditorias regulares e acompanhando atualizações regulatórias.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no setor financeiro
A LGPD é a autoridade máxima em solo nacional sobre as regras obrigatórias sobre coleta, tratamento, armazenamento e compartilhamento de dados. Ela é aplicada integralmente ao setor financeiro, com destaques para implicações que também são listadas em outras legislações mais específicas.
As diretrizes da LGPD para o setor financeiro incluem:
- Direitos dos titulares sobre acesso, edição e exclusão dos dados;
- Transparência sobre como os dados são tratados;
- Nomeação de um DPO como responsável pelos dados;
- Relatórios de impacto à proteção de dados para situações de alto risco;
- Notificação de incidentes relevantes em prazo razoável;
- Treinamento contínuo sobre as obrigações da lei para colaboradores;
- Uso de bases legais válidas para tratamento e implementação de boas práticas como criptografia e controles de acesso.
Todos os serviços necessários para compliance da LGPD de acordo com as regulamentações para o setor financeiro estão disponíveis na Clavis, especialista em Segurança da Informação que auxilia sua empresa a criar um ambiente seguro para suas operações.






