Durante uma viagem, ficar sem internet deixou de ser uma opção. Entre mapas, mensagens e redes sociais, a conexão se tornou parte essencial da experiência e, muitas vezes, o wi-fi público aparece como a solução mais rápida.
O problema é que essa praticidade pode esconder riscos relevantes. Em ambientes como aeroportos, hotéis e grandes eventos, conectar-se a redes abertas pode expor informações pessoais e corporativas sem que o usuário perceba.
Esse cenário ganhou destaque recentemente na imprensa. O tema foi abordado em matérias do Diário do Rio e do Extra, que contaram com a participação de Victor Santos, nosso CEO, ao tratar dos riscos associados ao uso de wi-fi público em viagens e eventos de grande porte.
O que acontece quando você se conecta a uma rede aberta?
Diferente de uma rede corporativa ou doméstica, o wi-fi público geralmente não possui mecanismos robustos de proteção. Na prática, isso significa que diversos dispositivos compartilham o mesmo ambiente sem garantias sobre segurança ou confiabilidade.
Esse tipo de contexto facilita a atuação de atacantes. Dependendo da configuração da rede, é possível interceptar dados trafegados, monitorar navegação e até manipular o conteúdo acessado pelo usuário.
Além disso, o aumento da circulação de pessoas intensifica esse cenário. Com mais de 9 milhões de turistas internacionais no Brasil em 2025, segundo o Ministério do Turismo, cresce também o número de conexões simultâneas em redes públicas e, com isso, a superfície de ataque.
Nem toda rede é o que parece
Um dos riscos mais comuns, e mais difíceis de perceber, é a criação de redes falsas.
Em ambientes com grande circulação, é relativamente simples criar conexões com nomes semelhantes aos de estabelecimentos legítimos, como “Hotel_WiFi_Free”, “Aeroporto_Guest” ou variações do nome oficial do local. Para o usuário, tudo parece normal, mas, ao se conectar, ele pode estar acessando uma rede controlada por terceiros.
Esse tipo de situação não depende de técnicas complexas. Ele se apoia principalmente no comportamento do usuário, que tende a priorizar conveniência — especialmente em momentos de pressa ou deslocamento.
O que pode estar em risco?
Ao utilizar uma rede insegura, o impacto vai além da navegação. Credenciais de acesso, dados bancários e informações pessoais podem ser expostos, principalmente quando o usuário acessa aplicações sensíveis sem considerar o contexto da conexão.
Em alguns casos, também é possível explorar a navegação para induzir acessos a páginas falsas ou downloads maliciosos, ampliando o potencial de comprometimento.
O risco não é só individual
Embora o impacto inicial pareça restrito ao usuário, o efeito pode se expandir. Em ambientes corporativos, o uso de wi-fi público sem os devidos cuidados pode comprometer credenciais, abrir portas para acessos indevidos e expor dados estratégicos da organização.
Esse risco se torna ainda mais relevante em um cenário de mobilidade e trabalho híbrido, onde dispositivos e acessos circulam fora do perímetro tradicional da empresa.
Como reduzir a exposição sem abrir mão da conexão?
Evitar completamente o uso de wi-fi público nem sempre é viável. No entanto, algumas práticas ajudam a reduzir significativamente o risco. O ponto central está no comportamento, pequenas decisões fazem diferença direta na proteção dos dados.
- Evitar acessar aplicativos bancários ou sistemas corporativos;
- Verificar se a rede é realmente oficial do local;
- Utilizar autenticação em dois fatores;
- Manter dispositivos atualizados.
Sempre que possível, redes móveis ou o uso de VPNs são alternativas mais seguras para atividades sensíveis.
Segurança também depende de quem oferece a rede
Com o wi-fi se tornando um serviço essencial, os estabelecimentos também têm um papel importante nesse cenário. Hotéis, aeroportos e espaços de eventos podem reduzir riscos ao adotar medidas como segmentação de redes, autenticação de usuários e comunicação clara sobre qual é a conexão oficial.
Essas ações ajudam a reduzir o uso indevido da infraestrutura e aumentam a segurança para todos os usuários.
Conectar é inevitável. Se expor, não!
A conectividade faz parte da rotina, especialmente em viagens. Mas o contexto em que essa conexão acontece precisa ser considerado.
O Wi-fi público pode ser útil, mas exige atenção. Em um cenário onde dados circulam constantemente, segurança não depende apenas de tecnologia. Ela também está nas escolhas feitas no dia a dia.





