A transformação digital acelerou o crescimento de diversos setores, mas, em muitos casos, esse avanço não acontece de forma orgânica. No mercado de telecomunicações, por exemplo, a expansão frequentemente está associada a estratégias de fusões e aquisições (M&A). E é justamente nesse cenário que a cibersegurança deixa de ser apenas uma preocupação técnica e passa a assumir um papel estratégico dentro do negócio.
Esse foi o ponto central da palestra “Resiliência Cibernética: Ciber como alavanca em processos de M&A”, apresentada por Felipe Lima, Especialista de Segurança da Informação da Alares Internet, e Leonardo Pinheiro, CRO e sócio da Clavis, durante o Clavis Cyber Briefing São Paulo.

Ao longo da apresentação, ficou claro que o crescimento acelerado traz consigo um desafio proporcional: garantir que a expansão não amplifique também os riscos.
Cibersegurança como parte do crescimento via M&A
Empresas que crescem por meio de aquisições não estão apenas incorporando novos clientes ou infraestrutura. Cada empresa adquirida traz consigo um histórico, uma arquitetura própria, diferentes níveis de maturidade em segurança e, muitas vezes, vulnerabilidades ainda desconhecidas.
No caso da Alares, esse cenário é particularmente relevante. Com atuação nacional e mais de 825 mil assinantes atendidos, a empresa opera em um ambiente altamente distribuído, com múltiplas redes, aplicações e integrações expostas. Isso cria uma superfície de ataque dinâmica, que cresce a cada nova aquisição.
Na prática, isso significa lidar com um ambiente onde a complexidade é a regra. Cadeias de negócio extensas, múltiplas APIs expostas e pressão regulatória constante tornam inviável tratar segurança como uma etapa isolada.
O risco em M&A vai além da tecnologia
Um dos principais aprendizados da palestra foi a mudança de perspectiva sobre risco. Em processos de M&A, o impacto de uma vulnerabilidade não é apenas técnico, ele é financeiro e reputacional.
Ao adquirir um novo provedor, a empresa não está apenas integrando ativos, mas assumindo riscos que podem não estar visíveis no momento da negociação. Esses riscos influenciam diretamente o valor do negócio, o esforço de integração e até a percepção de confiabilidade da marca.
Por isso, a segurança passa a atuar como suporte à decisão. Avaliar o nível de exposição de uma empresa antes da aquisição permite antecipar problemas que, se ignorados, só apareceriam após a integração — quando o custo de correção já é muito maior.
Segurança como etapa estruturada do processo
Para lidar com esse cenário, a abordagem apresentada mostra como a cibersegurança pode ser incorporada de forma prática ao processo de M&A.
Antes da aquisição, a empresa realiza uma avaliação estruturada para entender o nível de risco da organização-alvo. Esse processo combina diferentes análises, como maturidade em segurança, exposição externa e vulnerabilidades identificáveis.
Entre os principais pontos avaliados, destacam-se:
- Análise baseada em frameworks como CIS Controls;
- Mapeamento da superfície de ataque;
- Identificação de vulnerabilidades externas;
- Monitoramento de ameaças com Cyber Threat Intelligence.
O resultado é uma visão clara do risco envolvido. E, mais importante, uma base concreta para tomada de decisão que pode, inclusive, impactar diretamente a negociação da aquisição.
O desafio da integração
Se a avaliação é essencial, a integração é onde o risco realmente se materializa.
Após a aquisição, o desafio passa a ser padronizar ambientes que foram construídos de formas diferentes, muitas vezes com tecnologias, processos e práticas incompatíveis entre si. Esse não é apenas um desafio técnico, é também organizacional.
No case apresentado, a padronização foi conduzida de forma estruturada, permitindo que as empresas adquiridas fossem integradas em poucos meses, elevando o nível de segurança de todo o grupo .
Esse movimento reforça um ponto importante: segurança, nesse contexto, funciona como elemento de organização. Ela cria padrão, traz visibilidade e reduz incerteza.
Segurança no desenvolvimento e na operação
Outro ponto relevante abordado na palestra foi a necessidade de integrar segurança ao ciclo de desenvolvimento.
Em ambientes que evoluem rapidamente, novas aplicações são criadas o tempo todo. Sem controles adequados, isso pode gerar vulnerabilidades recorrentes. A adoção de práticas de DevSecOps permite antecipar esse problema, incorporando segurança desde as primeiras etapas do desenvolvimento.
Isso inclui desde a definição de pipelines seguros até a realização de testes de segurança em aplicações antes da entrada em produção. O resultado é um ambiente mais resiliente e preparado para crescer sem acumular riscos ocultos.
Fraudes digitais: quando o impacto chega ao cliente
Um dos exemplos mais concretos apresentados foi o impacto direto da segurança no cliente final.
A Alares enfrentou casos de fraude envolvendo boletos falsos enviados a clientes, utilizando a identidade da empresa. Esse tipo de ataque vai além da infraestrutura interna e atinge diretamente a confiança do usuário.
Para mitigar esse cenário, a estratégia adotada combinou inteligência de ameaças com ações operacionais, permitindo identificar rapidamente páginas fraudulentas, bloquear conteúdos maliciosos e reduzir o impacto dessas campanhas.
Aqui, a segurança deixa de ser invisível. Ela passa a ser percebida pelo cliente — especialmente quando falha.
SOC 24×7: visibilidade como diferencial
Em um ambiente distribuído e em constante mudança, a visibilidade contínua se torna essencial.
O SOC implementado no case apresentado opera com um volume significativo de dados, processando bilhões de eventos por mês e gerando milhares de detecções. Esse nível de monitoramento permite identificar comportamentos anômalos e agir rapidamente.
Mais do que os números, o resultado chama atenção: um ano completo sem incidentes relevantes, com todos os eventos tratados e documentados.
Isso evidencia uma mudança importante no papel da segurança. Ela deixa de ser reativa e passa a atuar de forma preventiva e estratégica.
Segurança como alavanca de negócio
O principal insight da palestra é claro: a cibersegurança não pode ser tratada como um obstáculo ao crescimento.
No caso apresentado, ela foi utilizada como alavanca em diferentes frentes — desde a avaliação de aquisições até a proteção da operação e dos clientes. Isso mostra que segurança e crescimento não são agendas conflitantes.
Em um cenário onde expansão e exposição caminham juntas, a capacidade de crescer com controle de risco passa a ser um diferencial competitivo. E, nesse contexto, a segurança passa a ser parte da estratégia.
Como a Clavis ajuda empresas a crescer com segurança?
Processos de fusões e aquisições exigem muito mais do que a integração de operações e tecnologias. É fundamental compreender os riscos cibernéticos envolvidos, avaliar a maturidade dos ambientes incorporados e garantir que o crescimento não aumente a exposição da organização.
A Clavis apoia empresas nesse processo por meio de avaliações de segurança, mapeamento da superfície de ataque, Cyber Threat Intelligence, Gestão de Vulnerabilidades e monitoramento contínuo com SOC 24×7. Com maior visibilidade sobre riscos e ameaças, as organizações conseguem tomar decisões mais seguras, acelerar integrações e sustentar sua expansão com mais controle e resiliência.





