A transformação digital vem ampliando as possibilidades de relacionamento entre clubes, torcedores, patrocinadores e parceiros. Ao mesmo tempo, quanto mais essas organizações expandem seus canais, serviços e operações digitais, maior se torna a superfície que precisa ser protegida.
Nesse cenário, a cibersegurança deixa de ser uma preocupação restrita à área de Tecnologia e passa a sustentar confiança, continuidade e crescimento.
Essa discussão esteve no centro do Clavis Cyber Briefing Rio de Janeiro, encontro promovido pela Clavis para reunir lideranças e especialistas em torno dos principais desafios da cibersegurança.
Durante o evento, Leonardo Pinheiro, Sócio e CRO da Clavis, participou de um painel ao lado de Marcus Mordechai, Advisor e Diretor Interino de TI do Flamengo, e Rafael Souza, CISO do Flamengo, sobre o tema “Além do campo: como a cibersegurança sustenta o maior ecossistema digital de esporte e entretenimento do Brasil”.
A conversa mostrou como a evolução digital do Flamengo está diretamente relacionada à necessidade de construir uma estrutura de segurança capaz de acompanhar o crescimento do clube.
Mais do que proteger sistemas, a estratégia envolve preservar informações, operações e relações de confiança que hoje fazem parte de um ecossistema cada vez mais conectado.
Quanto mais digital o negócio, maior a responsabilidade de protegê-lo
O Flamengo vive um processo de transformação digital que amplia a presença da tecnologia em diferentes dimensões do clube. Essa evolução cria novas oportunidades de negócio e relacionamento, mas também aumenta os pontos que podem ser explorados por agentes maliciosos.
A apresentação sintetizou essa relação de maneira direta: quanto mais digital uma organização se torna, maior tende a ser sua superfície de ataque. Para o Flamengo, isso significa que a segurança precisa acompanhar a transformação do negócio e fazer parte das decisões estratégicas que sustentam esse crescimento.
Essa preocupação ganha ainda mais relevância no esporte. Clubes administram informações de torcedores, atletas e parceiros, movimentam operações comerciais e financeiras e possuem marcas com enorme exposição pública. Uma indisponibilidade, fraude ou vazamento, portanto, pode produzir consequências muito além do ambiente tecnológico.
Incidentes registrados em outros times de futebol ajudam a dimensionar essa exposição. Casos envolvendo ransomware, comprometimento e vazamento de informações, invasão de contas oficiais e fraudes de engenharia social mostram que os riscos cibernéticos também fazem parte da realidade do esporte.
Além dos impactos tecnológicos, ocorrências desse tipo podem comprometer operações, informações estratégicas, transações financeiras e a própria reputação das organizações.
Cibersegurança também é confiança
Em uma organização com a dimensão e a exposição do Flamengo, proteger o ambiente digital significa também proteger relações construídas fora dele.
A estratégia apresentada durante o Cyber Briefing parte de três objetivos: proteger, confiar e liderar. O primeiro envolve preservar dados de milhões de torcedores e informações estratégicas do clube. O segundo está relacionado ao fortalecimento da confiança de patrocinadores, parceiros e sócios-torcedores. Já o terceiro traduz a ambição de transformar o Flamengo em uma referência de governança digital entre clubes brasileiros.
A lógica é incorporar segurança ao próprio DNA tecnológico da organização, protegendo torcida, atletas, patrocinadores e marca com o mesmo profissionalismo aplicado dentro de campo.
Nesse sentido, a cibersegurança não deve ser vista apenas como um conjunto de controles destinados a impedir ataques. Ela também cria condições para que novos projetos digitais sejam desenvolvidos sobre uma base mais confiável. A própria apresentação resume essa visão ao destacar que segurança digital é confiança para torcida, patrocinadores e parceiros.
Um incidente cibernético não termina na área de TI
Outro ponto importante do painel foi a necessidade de traduzir o risco cibernético para a linguagem do negócio.
Quando um incidente acontece, seus efeitos podem alcançar diferentes dimensões da organização. O modelo apresentado no encontro relaciona um incidente cibernético a impactos financeiros, operacionais, reputacionais, jurídicos e regulatórios. Em outras palavras, uma ocorrência que começa em um sistema pode rapidamente afetar receita, operação e confiança.
Essa perspectiva ajuda a mudar a forma como os investimentos em segurança são avaliados. Em vez de discutir tecnologia de maneira isolada, o debate passa a considerar quais riscos podem efetivamente interferir nos objetivos estratégicos da organização.
A apresentação reforçou justamente essa necessidade ao direcionar a discussão para decisões estratégicas, e não apenas tecnológicas.
Para uma organização inserida em um ecossistema de esporte e entretenimento, essa mudança é especialmente relevante. A experiência do torcedor, os canais digitais, as relações comerciais e a própria reputação da marca dependem cada vez mais de sistemas e dados disponíveis, íntegros e confiáveis.
Segurança precisa acompanhar a transformação do negócio
A digitalização cria uma relação inevitável entre crescimento e exposição. Novos canais, integrações, serviços e experiências aumentam as possibilidades de geração de valor, mas também tornam o ambiente mais complexo e ampliam a responsabilidade sobre aquilo que precisa ser protegido.
Por isso, a estratégia discutida no Cyber Briefing não parte da ideia de eliminar completamente o risco. A própria apresentação reforça que nenhuma organização está imune e que a defesa precisa ser continuamente aprimorada.
O desafio passa a ser construir governança e capacidade de proteção compatíveis com a evolução do negócio. Isso significa compreender onde estão os riscos mais relevantes, estabelecer prioridades e garantir que decisões sobre transformação digital também considerem segurança desde o início.
É nesse processo que a Clavis atua como parceira de cibersegurança do Flamengo, apoiando a evolução da maturidade digital do clube por meio de diferentes frentes de proteção. Atualmente, essa atuação envolve Managed Security Services (MSS), Centro de Operações de Segurança (SOC), Cyber Threat Intelligence (CTI), Gestão Contínua de Vulnerabilidades (GCV) e DevSecOps, integrando monitoramento, inteligência, gestão de riscos e segurança ao desenvolvimento.
Na prática, essas capacidades permitem monitorar continuamente o ambiente e responder a possíveis ameaças, acompanhar riscos externos relevantes para a marca, identificar e priorizar vulnerabilidades e incorporar segurança ao ciclo de desenvolvimento de aplicações. Mais do que iniciativas isoladas, essas frentes acompanham a transformação digital do Flamengo e contribuem para que novos projetos e serviços evoluam com segurança desde sua concepção.
No caso do Flamengo, essa visão conecta diretamente a agenda de cibersegurança ao processo de transformação do clube: proteger informações e operações é também criar uma estrutura mais preparada para sustentar novas iniciativas digitais.
Da proteção à geração de valor
A discussão apresentada no Clavis Cyber Briefing Rio de Janeiro mostra uma mudança importante na maneira como organizações podem enxergar a cibersegurança.
Em um ecossistema que conecta milhões de torcedores, parceiros, patrocinadores, atletas e diferentes iniciativas digitais, um incidente não representa apenas um problema técnico. Da mesma forma, investir em segurança não significa somente reduzir a probabilidade de um ataque.
Significa preservar confiança, proteger operações e criar condições para que a transformação digital avance de maneira sustentável.
À medida que o Flamengo amplia seus negócios e sua presença digital, a cibersegurança passa a ocupar justamente esse papel: não atuar como uma barreira à inovação, mas como uma das estruturas necessárias para que o clube continue expandindo seu ecossistema com segurança e confiança.





