A transformação digital do sistema financeiro brasileiro acelerou de forma significativa nos últimos anos. Pix, Open Finance, integrações via APIs e serviços digitais ampliaram a velocidade operacional, criaram novos modelos de negócio e mudaram a forma como instituições financeiras se relacionam com clientes e parceiros.
Ao mesmo tempo, esse avanço também alterou profundamente a dinâmica das fraudes.
Recentemente, o Banco Central registrou 33 incidentes de segurança nos primeiros meses de 2026, sendo 25 diretamente ligados a fraudes — o maior número já contabilizado pela autarquia para o período. O dado reforça uma preocupação crescente do regulador com a velocidade com que o risco cibernético vem evoluindo dentro do sistema financeiro.
Mais do que um aumento isolado de ocorrências, o cenário evidencia uma mudança estrutural: o ambiente financeiro se tornou mais conectado, distribuído e dependente de integrações digitais — e isso ampliou significativamente a superfície de ataque das instituições.
Durante evento promovido pela ACREFI em parceria com a Cantarino Brasileiro, representantes do Banco Central e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) destacaram que grupos criminosos passaram a atuar de forma mais profissionalizada no ambiente digital, utilizando aplicativos falsos, engenharia social, automação e ataques sofisticados para explorar vulnerabilidades operacionais e tecnológicas.
Nesse contexto, o problema deixa de ser apenas fraude transacional. O desafio passa a envolver visibilidade contínua, monitoramento de exposição e capacidade de resposta diante de ameaças que evoluem em velocidade cada vez maior.
O setor financeiro ficou mais rápido e mais exposto
A expansão do Pix e do Open Finance criou um ecossistema financeiro altamente integrado.
Hoje, bancos, fintechs, corretoras e instituições financeiras operam conectados a múltiplos parceiros, aplicações, APIs e plataformas digitais. Isso trouxe ganhos relevantes de eficiência e experiência para o usuário, mas também aumentou significativamente a complexidade operacional da segurança.
Na prática, a superfície digital das instituições cresceu em ritmo acelerado.
Novas integrações são publicadas constantemente, aplicações passam por atualizações frequentes e serviços digitais se tornam cada vez mais distribuídos. O problema é que a segurança nem sempre acompanha essa velocidade na mesma proporção.
Esse cenário cria um ambiente onde pequenas falhas podem gerar impactos relevantes em pouco tempo.
Uma API exposta indevidamente, uma credencial comprometida ou um serviço esquecido publicado externamente podem abrir espaço para exploração antes mesmo que a organização perceba o risco.
APIs se tornaram um dos principais pontos críticos
Um dos elementos centrais dessa transformação está nas APIs. Elas passaram a funcionar como camada essencial da operação financeira moderna, conectando sistemas internos, parceiros de Open Finance, plataformas digitais, aplicativos móveis e serviços transacionais.
Ao mesmo tempo em que ampliam conectividade e velocidade operacional, APIs também aumentam o risco de exposição.
Muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para manter inventário atualizado de APIs publicadas, monitorar integrações antigas ou garantir visibilidade contínua sobre serviços efetivamente acessíveis externamente.
Esse ponto ganha ainda mais relevância em um cenário onde criminosos conseguem automatizar reconhecimento de ativos expostos e acelerar identificação de vulnerabilidades.
Na prática, o risco não está apenas na falha técnica em si, mas na falta de clareza sobre o que realmente está exposto.
O Banco Central já começa a mudar a abordagem regulatória
Outro ponto importante da discussão é que o Banco Central sinalizou uma mudança relevante na forma de acompanhar o risco cibernético no setor financeiro.
Segundo informações apresentadas durante o evento, a autarquia trabalha em uma plataforma própria baseada em inteligência artificial para fortalecer processos de supervisão preditiva e ampliar capacidade de identificação de riscos operacionais. Além disso, o regulador deve aumentar a pressão sobre temas como:
- Governança de IA;
- Segurança de APIs;
- Gestão de risco cibernético;
- Proteção de dados;
- Monitoramento contínuo.
O movimento mostra que o foco regulatório está deixando de ser apenas conformidade documental e passando a olhar mais diretamente para capacidade operacional de defesa.
Na prática, isso significa que as instituições precisarão demonstrar não apenas que possuem controles, mas que conseguem identificar exposição, responder rapidamente e reduzir risco de forma contínua.
Fraudes começam muito antes da transação
Embora o impacto final geralmente apareça em movimentações indevidas ou golpes financeiros, a origem do problema costuma estar em outra camada. Em muitos casos, fraudes começam com:
- Ativos expostos;
- APIs vulneráveis;
- Falhas de autenticação;
- Permissões excessivas;
- Ausência de monitoramento;
- Credenciais comprometidas.
Isso significa que combater fraude exige muito mais do que ferramentas antifraude tradicionais. As organizações precisam desenvolver capacidade contínua de entender:
- Quais ativos estão acessíveis externamente?
- Onde existem vulnerabilidades críticas?
- Quais integrações representam maior risco?
- Quais comportamentos fogem do padrão operacional esperado?
Sem visibilidade contínua, a tendência é que a atuação aconteça apenas depois do incidente.
O problema da superfície de ataque invisível
Outro fator que amplia o risco no setor financeiro é a existência de ativos desconhecidos ou pouco monitorados.
Muitas organizações possuem APIs antigas ainda acessíveis, aplicações de homologação publicadas externamente, serviços esquecidos e integrações que continuam operando sem acompanhamento adequado.
Esse tipo de exposição aumenta significativamente a superfície de ataque e cria oportunidades para exploração silenciosa. O problema é que, em muitos cenários, o atacante consegue identificar primeiro a exposição antes da própria instituição.
Por isso, a análise contínua de superfície de ataque passou a ganhar importância estratégica dentro do setor financeiro.
Mais do que descobrir vulnerabilidades isoladas, o objetivo passa a ser entender continuamente como o ambiente está exposto e quais ativos realmente representam risco operacional.
O papel do monitoramento contínuo em um cenário acelerado por IA
Outro ponto importante levantado durante o debate do setor financeiro envolve o uso crescente de inteligência artificial tanto por instituições quanto por criminosos.
Ferramentas baseadas em IA passaram a ser utilizadas para automatizar reconhecimento de ambientes, acelerar análise de vulnerabilidades e sofisticar campanhas de engenharia social.
Em um cenário onde ameaças conseguem operar com mais velocidade, monitoramento contínuo deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a funcionar como elemento central da estratégia de segurança.
A capacidade de identificar rapidamente comportamentos anômalos, tentativas de exploração e movimentações suspeitas ajuda organizações a reduzirem impacto operacional e diminuírem tempo de resposta.
Além disso, ambientes financeiros modernos geram volumes massivos de eventos diariamente. Isso aumenta a necessidade de correlação inteligente, contextualização e priorização baseada em risco real.
Sem contexto, excesso de alertas pode gerar justamente o efeito contrário: mais ruído e menos capacidade de resposta.
Gestão contínua de vulnerabilidades ganha protagonismo
Outro movimento importante nesse cenário é o crescimento da gestão contínua de vulnerabilidades como elemento estratégico da segurança financeira.
No passado, muitas instituições operavam com avaliações periódicas e ciclos isolados de análise. Hoje, isso já não é suficiente. A superfície digital muda constantemente. APIs são publicadas, aplicações são atualizadas, parceiros são integrados e novos ativos aparecem continuamente.
Nesse contexto, visibilidade contínua passa a ser essencial. A gestão contínua de vulnerabilidades permite acompanhar mudanças no ambiente e identificar rapidamente:
- Vulnerabilidades críticas;
- Ativos expostos;
- Falhas de configuração;
- Riscos associados à superfície digital.
Mais importante do que encontrar falhas é entender quais delas realmente representam risco operacional imediato.
Esse ponto se torna ainda mais relevante em um cenário onde criminosos conseguem acelerar a descoberta e exploração de vulnerabilidades utilizando automação e inteligência artificial.
Como a Clavis apoia instituições financeiras nesse cenário?
Em um ambiente financeiro cada vez mais conectado e dinâmico, a segurança precisa atuar de forma contínua, integrada e orientada a risco.
O SOC da Clavis atua no monitoramento contínuo de ambientes críticos, permitindo identificar comportamentos anômalos, correlacionar eventos e apoiar respostas rápidas diante de tentativas de fraude, exploração ou movimentações suspeitas.
A abordagem orientada a riscos ajuda organizações a reduzirem ruído operacional e priorizarem incidentes considerando impacto real para o negócio.
Além disso, a frente de Gestão Contínua de Vulnerabilidades (GCV) apoia instituições na identificação de ativos expostos, vulnerabilidades críticas e riscos associados à superfície digital da organização.
Outro ponto importante envolve o gerenciamento da superfície de ataque, permitindo ampliar visibilidade sobre APIs expostas, aplicações publicadas e ativos acessíveis externamente — fatores cada vez mais relevantes em ambientes financeiros altamente integrados.
Na prática, isso ajuda organizações a reduzirem o tempo entre identificação de exposição e ação corretiva, fortalecendo capacidade de prevenção e resposta diante de ameaças que evoluem em velocidade cada vez maior.
O novo desafio do sistema financeiro
O aumento das fraudes registradas pelo Banco Central mostra que o risco cibernético no setor financeiro deixou de ser apenas um problema técnico isolado.
A combinação entre Pix, Open Finance, APIs e inteligência artificial criou um ambiente mais eficiente, mas também mais complexo, conectado e exposto.
Nesse contexto, a segurança deixa de atuar apenas como camada de proteção e passa a fazer parte da própria capacidade operacional das instituições financeiras.
Porque, em um cenário onde ameaças conseguem operar em alta velocidade, visibilidade contínua, monitoramento contextualizado e capacidade rápida de resposta se tornam elementos essenciais para redução de risco.





