Escrito por Leonardo Pinheiro
A transformação digital ampliou de forma significativa a dependência de parceiros, fornecedores e prestadores de serviço. Hoje, poucas organizações operam de forma isolada — a maioria faz parte de um ecossistema altamente conectado, onde dados, sistemas e processos transitam entre diferentes empresas.
Essa interdependência trouxe ganhos de escala e eficiência, mas também introduziu um novo vetor de risco: a segurança de terceiros.
De acordo com o SecurityScorecard Global Third-Party Breach Report 2025, 35,5% de todas as violações de dados tiveram origem em terceiros, um aumento em relação ao ano anterior. Além disso, o mesmo relatório aponta que 41,4% dos ataques de ransomware envolvem algum tipo de acesso via fornecedores ou parceiros.
Na prática, isso significa que, mesmo que a sua organização esteja protegida, ela ainda pode ser comprometida por meio de quem tem acesso ao seu ambiente. A segurança, portanto, deixa de ser apenas interna e passa a ser compartilhada.
O que é segurança de terceiros?
Segurança de terceiros — ou Third-Party Risk Management (TPRM) — é o conjunto de práticas, processos e controles utilizados para identificar, avaliar e mitigar riscos associados a fornecedores, parceiros e prestadores de serviço que tenham acesso a dados, sistemas ou infraestrutura da organização.
Esse conceito vai além da simples gestão de contratos. Ele envolve entender que qualquer entidade externa conectada ao seu ambiente pode se tornar um ponto de entrada para ataques. Na prática, isso inclui:
- Fornecedores de tecnologia;
- Empresas de outsourcing;
- Parceiros de integração;
- Plataformas SaaS e serviços em nuvem.
O desafio está no fato de que esses terceiros operam fora do controle direto da organização. Ainda assim, seus riscos passam a fazer parte do seu ambiente.
Esse é o ponto central: o perímetro de segurança deixou de ser definido pela infraestrutura interna e passou a incluir todo o ecossistema de relacionamento da empresa.
Quais são os riscos associados à terceirização de serviços?
A terceirização amplia a superfície de ataque e, muitas vezes, os riscos não estão visíveis — especialmente quando o acesso ocorre por integrações legítimas.
Vazamento de dados
O vazamento de dados é um dos riscos mais críticos associados a terceiros. Quando informações sensíveis são compartilhadas com fornecedores, a organização passa a depender também das práticas de segurança desse parceiro.
Ataques que exploram credenciais de fornecedores ou vulnerabilidades em sistemas terceirizados têm se tornado cada vez mais comuns. Isso ocorre porque, do ponto de vista do atacante, acessar um fornecedor menos protegido pode ser mais fácil do que atacar diretamente uma grande organização.
Conformidade com regulamentações (ex: LGPD)
Outro ponto crítico está relacionado à conformidade regulatória.
Leis como a LGPD deixam claro que a responsabilidade pelo tratamento de dados não desaparece quando há compartilhamento com terceiros. Ou seja, mesmo que o incidente ocorra em um fornecedor, a empresa contratante também pode ser responsabilizada.
Isso exige que organizações tenham visibilidade sobre:
- Como os dados são tratados por terceiros;
- Quais controles de segurança estão implementados;
- Como incidentes são gerenciados.
A falta dessa visibilidade aumenta não apenas o risco técnico, mas também o risco jurídico.
Impacto na reputação da empresa
A reputação é outro ativo diretamente impactado por falhas em terceiros. Do ponto de vista do cliente, pouco importa onde ocorreu o problema. Se os dados foram expostos ou o serviço foi interrompido, a percepção de falha recai sobre a empresa principal.
Esse efeito é amplificado pela velocidade de disseminação de informações e pelo aumento da exigência dos consumidores em relação à proteção de dados. Na prática, uma falha em um fornecedor pode gerar consequências tão severas quanto uma falha interna.
Estratégias para proteger dados em parcerias externas
Diante desse cenário, a gestão de segurança de terceiros deixa de ser opcional e passa a ser parte central da estratégia de segurança.
Due diligence e avaliação de fornecedores
O primeiro passo é entender com quem você está se conectando. Processos de due diligence permitem avaliar o nível de maturidade de segurança dos fornecedores antes mesmo da contratação. Isso inclui análise de políticas, certificações, histórico de incidentes e práticas operacionais.
Essa etapa é fundamental para evitar a entrada de riscos no ambiente.
Contratos com cláusulas de segurança da informação
A relação com terceiros precisa ser formalizada também do ponto de vista de segurança. Contratos devem incluir cláusulas específicas que definam:
- Responsabilidades sobre proteção de dados;
- Requisitos mínimos de segurança;
- Obrigações em caso de incidente;
- Níveis de serviço relacionados à segurança.
Isso garante que a segurança não seja apenas uma expectativa, mas uma exigência formal.
Monitoramento contínuo e auditorias
A avaliação de fornecedores não pode ser pontual. O cenário de ameaças evolui constantemente, e a postura de segurança de um parceiro pode mudar ao longo do tempo. Por isso, é necessário implementar monitoramento contínuo.
Auditorias periódicas e ferramentas de avaliação ajudam a garantir que os controles continuam sendo aplicados e que novos riscos sejam identificados rapidamente.
Tecnologias e ferramentas para gestão de terceiros
A complexidade da gestão de terceiros exige o uso de ferramentas que permitam visibilidade e controle sobre esse ecossistema.
Sistemas de gestão de fornecedores (SRM)
Soluções de Supplier Relationship Management (SRM) ajudam a centralizar informações sobre fornecedores, contratos e níveis de serviço.
Quando integradas à segurança, essas plataformas permitem acompanhar não apenas aspectos comerciais, mas também riscos associados.
Soluções de monitoramento de compliance
Ferramentas de monitoramento de compliance permitem acompanhar o cumprimento de requisitos regulatórios e de segurança por parte dos terceiros. Isso inclui verificação contínua de práticas, certificações e aderência a políticas.
Plataformas de avaliação de riscos
Plataformas especializadas em avaliação de risco de terceiros utilizam dados externos, inteligência de ameaças e indicadores de segurança para medir o nível de exposição de fornecedores.
Essas ferramentas ajudam a transformar risco em métricas, facilitando a tomada de decisão.
Boas práticas na gestão de segurança de terceiros
Além de tecnologia e processos, a gestão de terceiros depende de cultura e governança.
Treinamento e conscientização
Colaboradores que interagem com terceiros precisam entender os riscos envolvidos.
Isso inclui saber identificar comportamentos suspeitos, validar solicitações e seguir boas práticas no compartilhamento de informações.
Políticas de acesso e uso de dados
O acesso de terceiros deve ser controlado e limitado ao necessário. Princípios como least privilege e segmentação de acesso ajudam a reduzir o impacto de possíveis compromissos.
Além disso, é importante definir claramente como os dados podem ser utilizados e compartilhados.
Planos de resposta a incidentes
Mesmo com controles robustos, incidentes podem ocorrer.
Por isso, é essencial que a organização tenha planos de resposta que incluam cenários envolvendo terceiros. Isso garante rapidez na contenção e clareza na comunicação.
Como a Clavis apoia a gestão de segurança de terceiros
A complexidade da gestão de terceiros não está apenas em identificar riscos, mas em manter visibilidade contínua sobre um ecossistema que muda o tempo todo. Na prática, isso significa lidar com múltiplos fornecedores, diferentes níveis de maturidade em segurança e uma superfície de ataque que não para de crescer.
É justamente nesse cenário que muitas organizações enfrentam dificuldades: falta de visibilidade, processos pouco estruturados e dificuldade em transformar risco em ação. É nesse contexto que a Clavis atua, em parceria com a SecurityScorecard.
A partir dessa integração, as organizações passam a contar com uma visão contínua e baseada em dados sobre o risco cibernético de terceiros, permitindo avaliar fornecedores de forma objetiva, monitorar sua postura de segurança ao longo do tempo e identificar rapidamente exposições que possam impactar o negócio.
Combinando inteligência externa, análise de superfície de ataque e indicadores de risco, essa abordagem amplia a capacidade de identificar vulnerabilidades que não estão dentro do ambiente interno, mas que influenciam diretamente a segurança da operação.
Na prática, isso permite que a organização evolua de uma gestão reativa para uma visão contínua e estratégica dos riscos — incluindo aqueles que vêm de fora e que, cada vez mais, representam uma das principais portas de entrada para incidentes.






